Em menos de seis meses, três das maiores empresas de dados do mundo fizeram apostas bilionárias no PostgreSQL. A Databricks comprou a Neon por US$ 1 bilhão, a Snowflake adquiriu a Crunchy Data por US$ 250 milhões e a Supabase levantou US$ 100 milhões em Series E com valuation de US$ 5 bilhões. O recado é claro: quem controlar o ecossistema Postgres vai dominar a próxima geração de aplicações com IA.
O que aconteceu
A Databricks anunciou em maio de 2025 a aquisição da Neon, provedora de PostgreSQL serverless conhecida por criar instâncias isoladas em menos de 500 milissegundos. O valor do negócio ficou na casa de US$ 1 bilhão. Um dado chamou a atenção: mais de 80% dos bancos de dados provisionados na Neon já eram criados automaticamente por agentes de IA, não por humanos.
Poucas semanas depois, a Snowflake respondeu comprando a Crunchy Data por US$ 250 milhões durante o Snowflake Summit 2025. O objetivo é lançar o "Snowflake Postgres", uma versão enterprise do PostgreSQL integrada ao ecossistema de dados da empresa.
E em outubro de 2025, a Supabase fechou uma Series E de US$ 100 milhões liderada por Accel e Peak XV, atingindo US$ 5 bilhões de valuation. A plataforma baseada em Postgres já reúne mais de 4 milhões de desenvolvedores e 100 mil clientes, incluindo PwC, McDonald's e GitHub Next.
Por que o PostgreSQL virou alvo
O PostgreSQL deixou de ser apenas um banco relacional confiável. Ele se tornou a base de dados preferida para aplicações com IA por três motivos práticos.
Primeiro, extensões como pgvector transformaram o Postgres num banco vetorial capaz de armazenar e consultar embeddings sem precisar de infraestrutura separada. Segundo, o ecossistema serverless (Neon, Supabase) resolveu o problema histórico de escalabilidade, permitindo que agentes de IA criem e destruam instâncias sob demanda. Terceiro, a licença aberta garante que nenhum vendor pode trancar seus dados.
Para Databricks e Snowflake, a motivação é controlar o ciclo completo dos dados: da ingestão analítica até a camada transacional que alimenta aplicações e agentes. Quem oferece Postgres integrado ao data lakehouse fecha esse gap.
O que muda para quem usa Neon
Se você já usa Neon como banco de produção, a aquisição pela Databricks não exige ação imediata. A Neon confirmou que o produto continua operando de forma independente, com a mesma API e modelo de preços. A expectativa é que a integração com o ecossistema Databricks traga benefícios adicionais, como acesso facilitado a pipelines de dados e modelos de IA, sem quebrar compatibilidade.
O cenário macro é positivo para quem aposta em PostgreSQL. Com três gigantes investindo bilhões no ecossistema, a tendência é de mais ferramentas, melhor performance e preços mais competitivos. A frase que resume o momento já virou meme na comunidade: "It's 2026, just use Postgres."
Referências pesquisadas nesta publicação
- Databricks Agrees to Acquire Neon - Databricks Newsroom
- Snowflake to acquire database startup Crunchy Data - TechCrunch
- Supabase raises $100 million at $5 billion valuation - Fortune
- The $1 Billion database bet: What Databricks' Neon acquisition means - VentureBeat
- It's 2026, Just Use Postgres - Tiger Data